CAMINHO PARA A PÁSCOA 2019

DOMINGO DE RAMOS E PÁSCOA – CAIS DA MISERICÓRDIA E PORTO DA PAZ

Do Evangelho de S. Mateus
Disse Jesus: Assim como Jonas esteve no ventre do monstro marinho, três dias e três noites, assim o Filho do Homem estará no seio da terra, três dias e três noites. 41No dia do juízo, os habitantes de Nínive hão-de levantar-se contra esta geração para a condenar, porque fizeram penitência quando ouviram a pregação de Jonas. Ora, aqui está quem é maior do que Jonas! (Mt 12, 40-41)

Eis que estamos na última semana da Quaresma e chegamos ao Cais da Misericórdia, a caminho do nosso Porto da Paz, que é Jesus. É Ele o Deus feito homem que nos vem ensinar sobre a bondade do Pai e sobre a Sua imensa misericórdia. É Ele que, como ouvimos no Evangelho de hoje, sofre e é crucificado por amor à Humanidade. É Ele a razão e o centro da nossa Fé, o motivo da nossa esperança. Para a semana celebraremos a Sua Ressurreição. Sabemos que está vivo e navega sempre connosco: indica-nos por onde ir, compreende as difculdades do caminho, ampara-nos quando tropeçamos, dá-nos a mão se estamos cansados e abatidos.
A conversão e a penitência a que somos chamados durante a Quaresma, assim como a alegria e a esperança da Páscoa, devem ultrapassar os seus limites temporais e inundar as nossas vidas, em todos os espaços e em todos os momentos, para que possamos ser verdadeiros testemunhos do Cristo que seguimos, seus fiéis e empenhados missionários!

5ª SEMANA DA QUARESMA – CAIS DA TERNURA

Do Livro de Jonas
O Senhor Deus fez crescer um rícino, que se levantou acima de Jonas, para fazer sombra à sua cabeça e o proteger do Sol. Jonas alegrou-se grandemente por aquele rícino. 7Ao outro dia, porém, ao romper da manhã, enviou Deus um verme que roeu as raízes do rícino, e este secou. 8Quando o Sol se levantou, Deus fez soprar um vento quente do oriente, e o Sol dardejou os seus raios sobre a cabeça de Jonas, de forma que ele, desfalecido, desejou a morte e disse: «Melhor é para mim morrer do que viver.» 9Então Deus disse a Jonas: «Julgas tu que tens razão para te indignares por causa deste rícino?» Jonas respondeu: «Sim, tenho razão para me indignar até desejar a morte.» 10Disse-lhe Deus: «Sentes pena de um rícino que não te custou trabalho algum para o fazeres crescer, que nasceu numa noite, e numa noite pereceu! 11E não hei-de Eu compa-decer-me da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem distinguir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e um grande número de animais?» (Jn 4, 6-11)

Aproximamo-nos do Porto da Paz, que é a Páscoa. Ao longo das últimas semanas, escutando a história de Jonas, temos vindo a descobrir os diferentes cais onde Deus dá a conhecer o Seu coração clemente e compassivo, e nos quais podemos navegar em direcção à Ressurreição. Vimos que o Senhor conhece as nossas fraquezas e necessidades, Se compadece de nós e está pronto a perdoar-nos. Por isso, chegamos agora ao Cais da Ternura. Aprendamos com o Senhor a ser ternurentos com os nossos irmãos, estando atentos aos mais pobres e aos mais tristes, tentando consolá-los. Anunciemos a todos a ternura de Deus, como fez Jesus com a mulher adúltera.

4ª SEMANA DA QUARESMA – CAIS DO ENCONTRO

Do Livro de Jonas
1Jonas ficou profundamente aborrecido com isto e, muito irritado, 2dirigiu ao Senhor esta oração:«Ah! Senhor! Porventura não era isto que eu dizia quando ainda estava na minha terra? Por isso é que, precavendo-me, quis fugir para Társis, porque sabia que és um Deus misericordioso e clemente, paciente, cheio de bondade e pronto a renunciar aos castigos. 3Agora, Senhor, peço-te que me mates, porque é melhor para mim a morte que a vida.» 4O Senhor respondeu-lhe: «Julgas que tens razão para te afligires assim?» 5Jonas saiu da cidade e sentou-se a oriente da mesma. Ali fez para si uma cabana e sentou-se à sua sombra, para ver o que ia acontecer na cidade. (Jn 4, 1-5)

Hoje, nesta nossa caminha quaresmal, chegamos ao Cais do Encontro. Encontramo-nos com Deus Misericordioso, sempre pronto a perdoar-nos, como perdoou a cidade de Nínive ao observar a sua conversão e penitência. Às vezes, custa-nos entender esta total misericórdia revelada por Deus. Somos como Jonas e sentimos que o que seria justo seria a vingança e o castigo. Ou então, somos como o irmão mais velho da Parábola do Filho Pródigo, o qual, ciumento e achando-se melhor do que o irmão, priva-se de celebrar o regresso daquele filho que “estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado”. Na nossa viagem de conversão, esforcemo-nos por ser misericordiosos como o Pai, acolhendo e sendo tolerantes com os nossos irmãos, em vez de sempre nos predispôrmos a julgar e condená-los.

3ª SEMANA DA QUARESMA – CAIS DA CONVERSÃO

Do Livro de Jonas
Jonas entrou na cidade e andou um dia inteiro a apregoar: «Dentro de quarenta dias Nínive será destruída.» 5 Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, ordenaram um jejum e vestiram-se de saco, do maior ao menor. (Jn 3, 4-5)

Nesta terceira semana da Quaresma, chegamos ao Cais da Conversão. Convertermo-nos significa mudarmos de direcção. É dirigirmos o nosso coração para o Senhor, de Quem nos vem a salvação. Na história de Jonas, vemos como ele anunciava a Nínive a sua destruição, provocada pela maldade. É este o terrível efeito do pecado: ele afasta-nos de Deus e, portanto, destrói-nos, pois longe de Deus não há vida. O arrependimento e a conversão são a única forma de continuarmos a aproximarmo-nos do Senhor, apesar da nossa condição de
pecadores. “Se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante”, diz-nos Jesus no Evangelho de hoje. Se persistimos no pecado, sem o reconhecermos, sem pedir perdão e sem nos penitenciarmos, vamo-nos tornando distantes do Pai e da Vida plena que Ele nos dá, como figueiras estéreis que não dão fruto.

2ª SEMANA DA QUARESMA – CAIS DO MIRADOURO

Do Livro de Jonas
O Senhor fez com que ali aparecesse um grande peixe para engolir Jonas; e Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe. 2Jonas fez esta oração ao Senhor, seu Deus, do ventre do peixe, 3dizendo:«Na minha aflição invoquei o Senhor, e Ele ouviu-me.Clamei a ti do meio da morada dos mortos, e Tu ouviste a minha voz. 4Lançaste-me ao abismo, ao seio dos mares, e as correntes das águas envolveram-me. Todas as tuas vagas e todas as tuas ondas passaram por cima de mim. 5E eu já dizia: ‘Fui rejeitado diante dos teus olhos. Acaso me será dado ver ainda o teu santo templo?’ 6As águas me cercaram até ao pescoço, o abismo envolveu-me, as algas pegavam-se à minha cabeça; 7desci até às raízes das montanhas, até à terra cujos ferrolhos me prendem para sempre. Mas Tu, Senhor, meu Deus, salvaste a minha alma do sepulcro. 8Quando desfalecia a minha alma, lembrei-me do Senhor; a minha oração chegou junto de ti, até ao teu santo templo. 9Os que se entregam a ídolos vãos abandonam a sua fidelidade. 10Eu, porém, oferecer-te-ei sacrifícios, com cânticos de louvor e cumprirei os votos que tiver feito, pois do Senhor vem a salvação.» 11Então, o Senhor ordenou ao peixe e este vomitou Jonas em terra firme. (Jn 2, 1-11)

Chegamos ao Cais do Miradouro. Na leitura que escutámos, vemos como Jonas se voltou para Deus no seu momento de aflição e como o Senhor, apesar de Jonas ter fugido e recusado cumprir a Sua vontade, o salvou. É este o Deus que somos chamados a contemplar com maior fervor no tempo da Quaresma: um Deus que Se compadece das nossas fraquezas, que perdoa as nossas ofensas e cuja voz escutamos dentro da nuvem e que diz: “Este é o Meu Filho, o Meu Eleito, escutai-O.” Continuemos a navegar rumo à Páscoa, com os olhos fixos no rosto glorioso de Jesus e acolhendo a Sua palavra, confiados de que seremos recebidos com amor, muito embora sejamos pobres pecadores.

1ª SEMANA DA QUARESMA – CAIS DE PARTIDA

Do Livro de Jonas
A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, filho de Amitai, nestes termos: 2«Levanta-te, vai a Nínive, a grande cidade, e anuncia-lhe que a sua maldade subiu até à minha presença.» 3Jonas pôs-se a caminho, mas na direcção de Társis, fugindo da presença do Senhor. Desceu a Jafa, onde encontrou um navio que partia para Társis; pagou a sua passagem e embarcou nele para ir com os outros passageiros a Társis, longe da presença do Senhor (Jn 1, 1-3)

Nesta primeira semana da Quaresma, após termos visitado o Cais de Embarque na Quarta-feira de Cinzas, somos convidados a seguir até ao Cais de Partida. Como a Jonas, o Senhor pede-nos para fazermos caminho com Ele rumo à vida plena. E tantas vezes, nós, como Jonas, temos medo e fugimos da presença do Senhor. Jesus, Verdadeiro Homem, também conheceu o medo e a tentação de fugir. No Evangelho de hoje, vemos como resistiu aos chamamentos que O desviavam da Sua missão. Também nós somos tentados pelo egoísmo, pelo comodismo, pelo exibicionismo e pela auto-suficiência, os quais nos impedem de partir em direcção ao outro de coração aberto. Reconheçamos estas fraquezas e entreguemo-nos à misericórdia de Deus.
Não tenhamos medo de partir! Aproveitemos este tempo favorável para sair dos nossos espaços de conforto e ir ao encontro dos mais fragilizados, anunciando com alegria a Boa Nova. Lembremo-nos sempre que Jesus já lá está! O Senhor precede-nos e prepara o caminho.